Primaveras, mas que tédio.


     A juventude é, para muitos, o apogeu da existência. É comum ouvir pessoas mais velhas recordando e lamentando a ida dos seus bons anos de adolescência, quando o céu era mais azul e os indivíduos, mais gentis. Nos primeiros 20 anos da vida, contamos nossos aniversários com primaveras e depois, gastamos o resto de nosso tempo lamentando rugas, vivendo como se tudo fosse um terrível inverno interminável. Mas quanta hipocrisia, me poupe! A juventude também tem os seus problemas! Estamos, ao longo de todas as fases da vida, tão focados em nossos problemas atuais, que nos esquecemos dos momentos de glória que também vivenciamos e então, passamos a desejar situações do passado ou que ainda nem experimentamos. Enquanto adolescentes, a acne nos incomoda, ansiamos pelo fim da puberdade; quando adultos, não temos mais espinhas, mas são as varizes que nos assombram e logo voltamos a desejar a juvenilidade. Particularmente, acho essa busca incessante por momentos que não o agora um tanto enfadonha. Ora, sejamos calculistas: a expectativa média de vida de um brasileiro gira em torno dos 74,6 anos, segundo o IBGE; passamos os 20 e poucos da juventude aguardando as mudanças mágicas que a vida adulta supostamente traz, e depois, mais 54,6 chorando por não aceitar que  o tempo se passou. É tempo de mais! Quando você menos percebe, sua vida acabou simplesmente desperdiçada com uma insatisfação insaciável! 
Nesse contexto, recordo-me da fala de Heráclito, filósofo pré-socrático, de que ao adentrar e então sair de um rio, nem o homem e nem o rio são os mesmos. Usemos, em uma analogia, o rio como as fases da vida. Elas sempre costumam mudar alguma coisa em você, mas é seu, o papel de saber nadar para que essas se tornem construtivas.


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